Friday, April 20, 2007

Diniz Silva, O Psicopata Português

I.

No apartamento, com duas prostitutas

Diniz: Gostam de Victor Espadinha? Sou fã dele desde… desde sempre, já era um dos favoritos dos meus pais. Victor Espadinha é o Leonard Cohen português mas numa versão mais terrestre, mais palpável, mais popular…

(coloca um cd na aparelhagem)

Diniz: “Recordar é Viver” é indiscutivelmente a obra-prima de Espadinha.

(selecciona a música e faz sinal para que as prostitutas o sigam para o quarto)

Diniz: É uma meditação épica sobre o amor, ao mesmo tempo sobre a sua característica intrínseca de sofrimento e sobre a sua perenidade nos momentos adversos. Cristina, despe-te.

Diniz pega numas algemas e entrega-as a Cristina.

Diniz: Ouçam esta orquestração… ouve-se o sofrimento deste homem na melodia, a sua vontade de chorar que brilhantemente repudia e tenta suster. Sabrina, tira o vestido.

Diniz começa a despir-se.

Diniz: E a letra? O que dizer desta letra magnífica? Sabrina, dança.

(Sabrina faz um stiptease em frente a Diniz. Cristina está sentada na cama.)

Diniz: Reparem no verso “foste a trinta de Fevereiro de um ano por inventar”… não é genial? Terá sido ela a trigésima amante dele que de tão especial o marcou… ou terá partido ela para sempre, guardando ele a memória desse facto numa data que prefere que não exista?

(Diniz liga a câmara de filmar.)

Diniz: Cristina, algema a Sabrina à cama.

(Diniz regressa à sala e coloca a música do início. Regressa ao quarto.)

Diniz: Espadinha é um verdadeiro artista da canção nacional! Vamos ouvir outra vez…

II.

No apartamento, com as mesmas prostitutas.

Diniz: Sabiam que no ano em que a Dora concorreu ao Festival da Eurovisão ganhou a nomes como Trabalhadores do Comércio, Carlos Moniz e Lara Li? Uma vitória bem merecida, com o tema “Não sejas mau p’ra mim”.

Cristina: Tu vês o Festival da Eurovisão? Sabes quem ganhou e com que música? Gostas dessa música da Dora?

(Às gargalhadas, Cristina cai do sofá, rebolando para o chão.)

Diniz (ignorando o riso de Cristina): Dora perdeu o Festival para uma miúda belga de 13 anos. Uma injustiça! Dora era a Madonna portuguesa, a esperança musical deste país.

(Diniz coloca o cd na aparelhagem.)

Diniz: Nunca mais se ouviu falar nela… “Não sejas mau p’ra mim”… e depois? Completamente esquecida… o que será feito da Dora?

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