Friday, April 20, 2007

O que é feito das crianças von Trapp?

Após terem deixado a Áustria anexada pelos nazis, a família von Trapp instalou-se por uns tempos em Itália. Mas a felicidade de Maria, de Capitão von Trapp e das crianças não durou muito tempo…

Assim que completou dezoito anos, Liesl, a filha mais velha, quis sair de casa. Não foi exactamente este desejo que importunou o seu pai e a sua madrasta, acima de tudo, ambos queriam a felicidade das crianças e se a satisfação de Liesl passava por uma vida independente, que assim fosse. O problema era o sonho da jovem consistir numa carreira como menina de cabaret. Maria sentiu-se culpada por esta vontade, afinal fora ela quem trouxera a música de volta à vida desta família. Extremamente determinada, a jovem seguiu o seu desejo, mudou-se para Berlim, arranjou um trabalho como bailarina e deixou para trás uma família amargurada com qual manteve muito pouco contacto.

Entretanto, a grande preocupação de Maria e Capitão von Trapp era Friedrich, na altura com quinze anos. Ao contrário do que seria de esperar num rapaz desta idade, Friedrich não mostrava qualquer interesse pelas suas colegas ou qualquer mulher que fosse. Rodeara-se de amigos, todos do sexo masculino, e o nível de intimidade que essas relações deixavam transparecer assustava o Capitão. Em parte, sentia-se responsável por esta situação, fora um pai severo e inflexível, um péssimo modelo masculino e essa fora a única referência passada ao filho. Todas as outras figuras de autoridade da vida de Friedrich eram mulheres, a governanta, as amas, a irmã mais velha…

Dois anos passaram até que o jovem foi confrontado pelo pai sobre a sua orientação sexual. As noites sucessivas em que telefonava a dizer que iria dormir em casa de Bruno, um amigo, deram o mote à conversa. “Afinal quem é esse Bruno? Um amigo ou algo mais?”, inquiriu o Capitão. Friedrich não estava preparado para este confronto, sossegou o pai dizendo que se tratava de um simples amigo, mentindo com todas as forças que tinha. Mal se retirou do escritório do Capitão, telefonou a Bruno e nessa madrugada o casal fugiu para Madrid.

No entanto, nem todas as crianças provocaram infelicidade com as suas escolhas. Louisa desde sempre se mostrara fascinada pelas histórias de Maria sobre o convento. Assim, não tardou que convocasse uma reunião de família para anunciar que ia seguir o caminho da religião e ingressar no convento onde também Maria fora uma noviça. Esta decisão acabou por determinar também o futuro dos restantes von Trapp. Já que Louisa iria regressar a Salzburgo e a guerra havia já terminado, não existia motivo algum para permanecerem em Itália. Regressaram então para mansão da família.

Brigitta não ficou muito em Salzburgo. Os seus grandes sonhos eram ser escritora e conhecer Londres. O Capitão achava-a muito nova para tamanhas aspirações mas Maria confiava na criança, no seu talento e maturidade. Assim, procurou informar-se sobre colégios internos em Londres, escolheu o melhor e propôs ao marido que a enviassem para lá. O que parecia a Brigitta o realizar de um sonho com apenas dez anos, transformou-se um enorme pesadelo, duas décadas depois, quando, apesar de ser uma escritora consagrada e galardoada, se deixou levar por uma vida regida pelo álcool e pelas as drogas. Acabou a sua vida internada num hospício.

Maria e o Capitão poderiam ter sentido culpa pelo destino desta criança, mas não viveram o suficiente para assistir a tal desgraça pois outra, muito maior, se abateu no lar dos von Trapp.

A família, agora reduzida ao casal e aos filhos Kurt, Marta e Grelt, viveu ainda dez maravilhosos anos na mansão austríaca. Liesl nunca mais viu a sua família mas esporadicamente enviava postais de Berlim dizendo que a vida lhe corria bem e que era a atracão principal do cabaret onde trabalhava. De Friedrich nunca mais houve notícias. Já Louisa permaneceu no convento até ao final da sua vida.

Grelt, a mais nova da família, sempre se sentira algo discriminada. A todos os seus irmãos foi permitido escolher o destino das suas vidas, excepto a Grelt. Kurt e Marta viviam em Viena, onde frequentavam as melhores escolas do país e levando consigo grande parte da fortuna da família. Regressavam a casa ao fim-de-semana, desdenhando a vida pacata da mais nova, condenada a frequentar um liceu público porque não decidira ainda que profissão queria seguir. Os sentimentos de revolta e desejo de vingança foram consumindo a benjamim da família sem que alguém desse por isso. Grelt assim o queria, já que ninguém gostava dela, ninguém conheceria os seus planos macabros. Um sábado, de manhã, desceu para tomar o pequeno-almoço no jardim com os seus pais. Agiu normalmente e mostrou-se até ansiosa pela chegada de Kurt e Marta nessa tarde. Quando Maria e o Capitão caíram agarrados às suas gargantas, gemendo de dor, Grelt não se mexeu. Continuou a beber o seu chá como se nada se passasse. Minutos depois, os seus pais estavam mortos, Grelt envenenara-os. Dirigiu-se então ao cofre da mansão e esvaziou-o. Pegou depois nas malas que fizera na véspera, colocou-as no carro e seguiu viajem, regressando a Itália.

Quando Kurt e Marta chegaram a Salzburgo, nessa tarde, encontraram os pais mortos no jardim, o cofre, onde ainda há horas estava toda a fortuna da família, vazio e um bilhete de Grelt. “Von Trapp children don’t play!”. Sem um único tostão que lhes permitisse continuar os seus estudos em Viena, Kurt e Marta não tiveram outra hipótese se não transformar a mansão da família num bordel e através da prostituição irem recuperando a fortuna que lhes fora roubada.

1 comments:

Anonymous said...

Gosto muito da tua paguina